Dívida pública · 2008–2025
A dívida bruta chegou a R$ 10,0 tri em dezembro de 2025. Os déficits da previdência acumulados de 2008 a 2025, corrigidos pela taxa de juros que a própria dívida pagou, somam R$ 8,5 tri. Em reais de hoje, sem juros, são R$ 6,0 tri. No mesmo período, sem a previdência, o Governo Central teria tido superávit primário em 17 de 18 anos.
Equivale não quer dizer que causou. A conta mostra quanto a dívida seria menor se a previdência estivesse equilibrada e todo o resto fosse igual: ver a seção 03.
O que o Tesouro precisou cobrir para pagar aposentadorias e pensões do INSS e dos servidores civis e as pensões a dependentes de militares, em R$ bilhões de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Militares inativos ficam fora (ver abaixo).
Em reais de hoje, o déficit total mais que dobrou: R$ 198 bi em 2008, R$ 436 bi em 2025, com pico de R$ 478 bi em 2020. Quem cresceu foi o INSS, que mais que triplicou (de R$ 95 bi para R$ 324 bi). O déficit de servidores civis e pensões a dependentes de militares ficou quase estável: R$ 102 bi em 2008 e R$ 112 bi em 2025, alta real de 10%. Em valores correntes, os mesmos anos marcam R$ 75 bi e R$ 427 bi (ver a tabela).
Fora da conta: os militares inativos. A reserva remunerada e a reforma não são previdência: o militar inativo continua militar, e a remuneração dele é encargo do Tesouro, sem contribuição (Lei 6.880/1980, arts. 3º e 53-A). Custaram R$ 36,2 bi em 2025 e R$ 646 bi de 2008 a 2025, em reais de hoje; a tabela da seção 04 traz o valor de cada ano. Só a pensão que o militar deixa aos dependentes quando morre, que tem contribuição, entra no déficit.
Resultado primário do Governo Central, o que ele arrecada menos o que gasta sem contar os juros, em R$ bilhões. Os pontos mostram o mesmo resultado se a previdência estivesse equilibrada.
Sem a previdência, o resultado primário foi positivo em 17 dos 18 anos. A exceção é 2020, ano da pandemia. Em todos os anos com déficit primário desde 2014, exceto 2020, o déficit da previdência foi maior que todo o déficit primário do Governo Central.
Dívida bruta do governo geral no fim de cada ano, comparada com a soma dos déficits da previdência desde 2008, de três jeitos: sem correção, corrigida pela inflação (IPCA) e corrigida pelos juros que a própria dívida pagou (taxa implícita). Em R$ trilhões.
Isso não quer dizer que 85% da dívida "é da previdência". Dinheiro público não tem carimbo. A conta é um contrafactual: mostra quanto a dívida seria menor se a previdência estivesse equilibrada e todo o resto tivesse sido igual. A dívida também cresce por outros motivos, como reservas internacionais, operações compromissadas do Banco Central, empréstimos ao BNDES e câmbio. A linha principal usa a taxa de juros implícita, o que a dívida de fato pagou em cada ano. O IPCA mostra o mesmo valor sem juros, em reais de hoje.
Déficit do INSS é o total de benefícios previdenciários menos a arrecadação líquida do Regime Geral (RTN, tabela 2.2, linhas 4.1 e 1.3).
Déficit de servidores civis e pensões a dependentes de militares é o que se pagou em aposentadorias e pensões civis e em pensões a dependentes de militares (RTN, tabela 2.5, valor pago), menos as contribuições de quem recebe: a dos servidores civis ao PSS (tabela 2.2, linha 1.4.3) e a de militares e pensionistas para a pensão dos dependentes (RREO, Anexo 4; R$ 9,6 bi em 2025), que o RTN não separa. Equivale ao custo para o Tesouro, porque a contribuição patronal da União sai do próprio Tesouro.
FCDF. O RTN não tem linha previdenciária para o Fundo Constitucional do DF: a única linha própria do Fundo (2.3.11) é de custeio e capital. O RTN não informa em qual linha de pessoal entram os aposentados e pensionistas que o FCDF paga (Polícia Civil, PM e Bombeiros, saúde e educação do DF), nem se entram. A série usa as linhas 2.2.3 e 2.2.4 como o Tesouro as publica, sem tirar nem acrescentar nada do FCDF. No infográfico da previdência federal de 2025, que usa o RREO, o FCDF é aberto por ação orçamentária.
Militares inativos ficam fora. A reserva remunerada e a reforma são pagas pelo Tesouro como pessoal, sem contribuição (Lei 6.880/1980, art. 53-A; avaliação atuarial dos militares, PLDO 2027, item 4.1.1). O RTN soma reforma e pensão numa linha só (tabela 2.5, linha 2.2.4); a parte de cada uma vem da proporção do RREO de dezembro do mesmo ano (despesas liquidadas), aplicada ao valor pago do RTN. Até 2016 o RREO tinha outro formato, lido nos PDFs de 2009, 2011 e 2013 e no Siconfi; em 2017 a contribuição para a pensão muda de critério (R$ 3,3 bi no formato antigo, R$ 2,2 bi no novo, que é o usado).
Por que começa em 2008: é quando a tabela 2.5 do RTN passa a separar servidores e militares. O INSS sozinho tem série desde 1997.
A correção usa o que a dívida pagou. A taxa de juros implícita da dívida bruta, do Banco Central, mede os juros nominais de cada ano em relação ao estoque da dívida: o custo efetivo dela, de 5,9% (2020) a 13,2% (2015). O déficit de cada ano sai aos poucos, mês a mês; por isso a conta supõe que, em média, ele saiu no meio do ano. Rende juros de meio ano no próprio ano e de um ano inteiro em cada ano seguinte, até dez/2025. Exemplo: os R$ 403,9 bi de 2023 viram R$ 531,7 bi em dez/2025. Em reais de hoje, só com o IPCA (série 433; 171% no período), são 60% da dívida. Com a Selic (série 4390) seriam 82%: em 11 dos 18 anos a taxa implícita ficou acima da Selic.
Dívida bruta do governo geral (DBGG) é o indicador oficial do Banco Central (séries 13761 e 13762). Inclui principalmente a União, mas também estados e municípios. Os valores são do fim de cada ano.
Sem a previdência quer dizer: o resultado primário do Governo Central (RTN, tabela 2.2, linha 5) mais o déficit da previdência do mesmo ano. Supõe que nada mais mudaria. Por isso é uma medida de tamanho, não de culpa.
Todos os arquivos estão guardados junto deste infográfico, na pasta fontes/. O script calcular.py refaz a conta a partir deles.
RTN-dez2025-serie-historica.xlsxBCB-SGS-13761-DBGG-2007-2025.json, BCB-SGS-13761-DBGG-2026.jsonBCB-SGS-13762-DBGG-pct-PIB-2007-2026.jsonBCB-SGS-433-IPCA-mensal-2008-2025.jsonRREO-Uniao-dez2009.pdf (p. 42), RREO-Uniao-dez2011.pdf (p. 43), RREO-Uniao-dez2013.pdf (p. 37). 2014–2025: Siconfi-RREO-Uniao-*-6bim-Anexo04*.json, pela API do SiconfiBCB-taxa-implicita-DLSP-DBGG-serie-ate-nov2018.xls, aba DBGG_12meses). 2012–2025: Estatísticas fiscais, Tabela 23 (BCB-estatisticas-fiscais-tabelas-2019-01.xlsx, BCB-estatisticas-fiscais-tabelas-2026-01.xlsx)BCB-SGS-4390-selic-mensal-2008-2025.jsonAchou um número errado? Cada correção é feita com data e registrada. Diga qual número, onde aparece e qual fonte mostra o valor certo.
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