Dívida pública · 2008–2025

Os déficits da previdência desde 2008 equivalem a 85% da dívida pública

A dívida bruta chegou a R$ 10,0 tri em dezembro de 2025. Os déficits da previdência acumulados de 2008 a 2025, corrigidos pela taxa de juros que a própria dívida pagou, somam R$ 8,5 tri. Em reais de hoje, sem juros, são R$ 6,0 tri. No mesmo período, sem a previdência, o Governo Central teria tido superávit primário em 17 de 18 anos.

Equivale não quer dizer que causou. A conta mostra quanto a dívida seria menor se a previdência estivesse equilibrada e todo o resto fosse igual: ver a seção 03.

R$ 11,05tri
dívida bruta do governo geral em ago/2026: 82,9% do PIB
R$ 436bi
déficit da previdência só em 2025, ou 2,2 vezes o de 2008 em reais de hoje
+ R$ 2,9tri
superávit primário acumulado de 2008 a 2025, se não houvesse o déficit da previdência
17de 18
anos com superávit primário, se não houvesse a previdência
01O déficit

Déficit da previdência, ano a ano

O que o Tesouro precisou cobrir para pagar aposentadorias e pensões do INSS e dos servidores civis e as pensões a dependentes de militares, em R$ bilhões de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Militares inativos ficam fora (ver abaixo).

INSS (Regime Geral)servidores civis e pensões a dependentes de militares

Em reais de hoje, o déficit total mais que dobrou: R$ 198 bi em 2008, R$ 436 bi em 2025, com pico de R$ 478 bi em 2020. Quem cresceu foi o INSS, que mais que triplicou (de R$ 95 bi para R$ 324 bi). O déficit de servidores civis e pensões a dependentes de militares ficou quase estável: R$ 102 bi em 2008 e R$ 112 bi em 2025, alta real de 10%. Em valores correntes, os mesmos anos marcam R$ 75 bi e R$ 427 bi (ver a tabela).

Fora da conta: os militares inativos. A reserva remunerada e a reforma não são previdência: o militar inativo continua militar, e a remuneração dele é encargo do Tesouro, sem contribuição (Lei 6.880/1980, arts. 3º e 53-A). Custaram R$ 36,2 bi em 2025 e R$ 646 bi de 2008 a 2025, em reais de hoje; a tabela da seção 04 traz o valor de cada ano. Só a pensão que o militar deixa aos dependentes quando morre, que tem contribuição, entra no déficit.

02O resto do governo

Com e sem a previdência

Resultado primário do Governo Central, o que ele arrecada menos o que gasta sem contar os juros, em R$ bilhões. Os pontos mostram o mesmo resultado se a previdência estivesse equilibrada.

resultado primário de fatosem o déficit da previdência
− R$ 1,27 tri
resultado primário acumulado de fato, 2008–2025
+ R$ 2,90 tri
o mesmo resultado sem o déficit da previdência

Sem a previdência, o resultado primário foi positivo em 17 dos 18 anos. A exceção é 2020, ano da pandemia. Em todos os anos com déficit primário desde 2014, exceto 2020, o déficit da previdência foi maior que todo o déficit primário do Governo Central.

03A dívida

A dívida e os déficits acumulados

Dívida bruta do governo geral no fim de cada ano, comparada com a soma dos déficits da previdência desde 2008, de três jeitos: sem correção, corrigida pela inflação (IPCA) e corrigida pelos juros que a própria dívida pagou (taxa implícita). Em R$ trilhões.

dívida bruta (DBGG)déficits + taxa implícitadéficits + IPCAdéficits sem correção
R$ 8,47 tri
aumento da dívida bruta entre dez/2007 (R$ 1,54 tri) e dez/2025 (R$ 10,02 tri)
85%
da dívida de dez/2025 equivale aos déficits da previdência desde 2008 corrigidos pelos juros da própria dívida (R$ 8,51 tri). Em reais de hoje são 60% (R$ 6,00 tri); sem correção, 42% (R$ 4,17 tri)

Isso não quer dizer que 85% da dívida "é da previdência". Dinheiro público não tem carimbo. A conta é um contrafactual: mostra quanto a dívida seria menor se a previdência estivesse equilibrada e todo o resto tivesse sido igual. A dívida também cresce por outros motivos, como reservas internacionais, operações compromissadas do Banco Central, empréstimos ao BNDES e câmbio. A linha principal usa a taxa de juros implícita, o que a dívida de fato pagou em cada ano. O IPCA mostra o mesmo valor sem juros, em reais de hoje.

04Os números

A série completa

Todos os valores dos gráficos, em R$ bilhões correntes, salvo a coluna em reais de dez/2025. Os mesmos dados estão em fontes/serie-calculada.csv.

05Método

Como os números foram calculados

Déficit do INSS é o total de benefícios previdenciários menos a arrecadação líquida do Regime Geral (RTN, tabela 2.2, linhas 4.1 e 1.3).

Déficit de servidores civis e pensões a dependentes de militares é o que se pagou em aposentadorias e pensões civis e em pensões a dependentes de militares (RTN, tabela 2.5, valor pago), menos as contribuições de quem recebe: a dos servidores civis ao PSS (tabela 2.2, linha 1.4.3) e a de militares e pensionistas para a pensão dos dependentes (RREO, Anexo 4; R$ 9,6 bi em 2025), que o RTN não separa. Equivale ao custo para o Tesouro, porque a contribuição patronal da União sai do próprio Tesouro.

FCDF. O RTN não tem linha previdenciária para o Fundo Constitucional do DF: a única linha própria do Fundo (2.3.11) é de custeio e capital. O RTN não informa em qual linha de pessoal entram os aposentados e pensionistas que o FCDF paga (Polícia Civil, PM e Bombeiros, saúde e educação do DF), nem se entram. A série usa as linhas 2.2.3 e 2.2.4 como o Tesouro as publica, sem tirar nem acrescentar nada do FCDF. No infográfico da previdência federal de 2025, que usa o RREO, o FCDF é aberto por ação orçamentária.

Militares inativos ficam fora. A reserva remunerada e a reforma são pagas pelo Tesouro como pessoal, sem contribuição (Lei 6.880/1980, art. 53-A; avaliação atuarial dos militares, PLDO 2027, item 4.1.1). O RTN soma reforma e pensão numa linha só (tabela 2.5, linha 2.2.4); a parte de cada uma vem da proporção do RREO de dezembro do mesmo ano (despesas liquidadas), aplicada ao valor pago do RTN. Até 2016 o RREO tinha outro formato, lido nos PDFs de 2009, 2011 e 2013 e no Siconfi; em 2017 a contribuição para a pensão muda de critério (R$ 3,3 bi no formato antigo, R$ 2,2 bi no novo, que é o usado).

Por que começa em 2008: é quando a tabela 2.5 do RTN passa a separar servidores e militares. O INSS sozinho tem série desde 1997.

A correção usa o que a dívida pagou. A taxa de juros implícita da dívida bruta, do Banco Central, mede os juros nominais de cada ano em relação ao estoque da dívida: o custo efetivo dela, de 5,9% (2020) a 13,2% (2015). O déficit de cada ano sai aos poucos, mês a mês; por isso a conta supõe que, em média, ele saiu no meio do ano. Rende juros de meio ano no próprio ano e de um ano inteiro em cada ano seguinte, até dez/2025. Exemplo: os R$ 403,9 bi de 2023 viram R$ 531,7 bi em dez/2025. Em reais de hoje, só com o IPCA (série 433; 171% no período), são 60% da dívida. Com a Selic (série 4390) seriam 82%: em 11 dos 18 anos a taxa implícita ficou acima da Selic.

Dívida bruta do governo geral (DBGG) é o indicador oficial do Banco Central (séries 13761 e 13762). Inclui principalmente a União, mas também estados e municípios. Os valores são do fim de cada ano.

Sem a previdência quer dizer: o resultado primário do Governo Central (RTN, tabela 2.2, linha 5) mais o déficit da previdência do mesmo ano. Supõe que nada mais mudaria. Por isso é uma medida de tamanho, não de culpa.

06Fontes

Documentos oficiais

Todos os arquivos estão guardados junto deste infográfico, na pasta fontes/. O script calcular.py refaz a conta a partir deles.

  1. Resultado do Tesouro Nacional, dezembro de 2025, série histórica: Tesouro NacionalTabela 2.2: benefícios e arrecadação do RGPS, contribuição PSS e resultado primário. Tabela 2.5: aposentadorias e pensões civis, reformas e pensões militares (linha 2.2.4, dividida pela proporção do RREO). RTN-dez2025-serie-historica.xlsx
  2. Banco Central, SGS 13761: dívida bruta do governo geral (R$)BCB-SGS-13761-DBGG-2007-2025.json, BCB-SGS-13761-DBGG-2026.json
  3. Banco Central, SGS 433: IPCA, variação mensalBCB-SGS-433-IPCA-mensal-2008-2025.json
  4. Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) de dezembro, Anexo 4: Tesouro NacionalContribuição para a pensão dos dependentes de militares e despesas com essas pensões e com militares inativos. 2008–2013: RREO-Uniao-dez2009.pdf (p. 42), RREO-Uniao-dez2011.pdf (p. 43), RREO-Uniao-dez2013.pdf (p. 37). 2014–2025: Siconfi-RREO-Uniao-*-6bim-Anexo04*.json, pela API do Siconfi
  5. Banco Central, taxa de juros implícita da DBGG2008–2011: série histórica (BCB-taxa-implicita-DLSP-DBGG-serie-ate-nov2018.xls, aba DBGG_12meses). 2012–2025: Estatísticas fiscais, Tabela 23 (BCB-estatisticas-fiscais-tabelas-2019-01.xlsx, BCB-estatisticas-fiscais-tabelas-2026-01.xlsx)
  6. Banco Central, SGS 4390: Selic acumulada no mêsBCB-SGS-4390-selic-mensal-2008-2025.json

Achou um número errado? Cada correção é feita com data e registrada. Diga qual número, onde aparece e qual fonte mostra o valor certo.

Reporte um erro